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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

POESIA CIENTÍFICA

                                                                               Poesia de № 026

Às folhas tantas
Do livro científico
O cloreto de sódio apaixonou-se
Um dia
Quimicamente
Por uma substância.
Olhou-a com seu olhar heterogêneo
E viu-a, da maior partícula ao átomo,
Uma substância química;
Olhos elétricos, boca molecular
Corpo poroso, seios atômicos.
Fez da sua
Uma vida
Substancial a dela
Até que se encontraram
Numa mistura homogênea
“ Quem és tu ? ”, indagou ele
Com ânsia natural.
“ Sou a soma do nitrogênio com o hidrogênio
Mas pode me chamar de Amônia ”.
E assim, se amaram
À velocidade dos elétrons
E a eletricidade dos prótons
Formando
Com a energia do momento
O modelo mais perfeito do átomo.
Reagiram a todas reações químicas contra eles
E protestaram a favor da valência.
Enfim, resolveram se combinar
Formar uma única substância.
Convidaram para padrinhos,
O Carbonato de Cálcio e a Platina.
E fizeram misturas, fórmulas e combinações para o futuro.
Sonhando com uma felicidade
Pura
E utópica.
Se combinaram e tiveram duas moléculas
Muito engraçadinhas.
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal
Vira monotonia.
Foi então
De um movimento atômico
Que surgiu
O Carbono puro.
E lhe ofereceu
Uma riqueza química,
O carvão, a grafita e o diamante.
Ele, Cloreto de Sódio, percebeu
Que com ela não formava mais uma única substância
Mas sim,
Um solitário elemento químico
Em busca de uma nova combinação.
Mas foi então que Einstein descobriu a relatividade
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade.
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.

                                                                             André Caldas    1989

Elaborada a pedido da professora Lúcia Veloso, baseada numa poesia já existente titulada “ Poesia Matemática ” do grande poeta Millôr Fernandes.

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