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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

JOÃO NINGUÉM

                                                                               Poesia de № 006

Não te digo
Meu amigo
O que a vida me fez aprender
Essa vida de mendigo
Vida não pode ser

Sem família, sem abrigo
Sem nada pra comer
Uma vida sem amigo
Sozinho não é viver
Vivo então parasita do inimigo
E dele faço meu buffet

Por onde passei
Vários nomes recebi
Restos de comida eu catei
E me chamaram de gari
Passei por uma casa em construção
E me chamaram de pião
Cheguei a dormir num pantanal
E me chamaram de animal
Fui um filósofo ambulante
Mas me chamaram de ignorante
No interior tentei ser coronel
E me chamaram de tabaréu
Fiz cooper no meio da multidão
E gritaram pega ladrão
Fiz tudo nesse mundo
Mas ainda me chamam de vagabundo
Passei de cueca na rua de Veneza
E me chamaram de maluco beleza

Fui de miserável a vagabundo
E um dia pensei de repente
Se eu fosse corrupto e incompetente
Governaria esse mundo
Me tornaria ministro ou presidente
Dono de latifúndio

Mas é nessa vida de mendigo
Que eu vivo também
Agora deixe-me ir partindo
Que pra onde vou, não vai ninguém.

                                                         André Caldas      05/04/93

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